
A piscicultura brasileira seguiu em expansão em 2024, registrando um crescimento de 9,2% e totalizando 968,7 mil toneladas, segundo os dados do Anuário 2025 da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR).
“Em um ano marcado pela oscilação de preços da tilápia ao produtor, nossa espécie mais relevante, a atividade superou adversidades e não apenas manteve o ritmo de crescimento como acelerou o avanço, aproximando-se de 1 milhão de toneladas”, assinala Francisco Medeiros, presidente-executivo da PeixeBR.
A tilápia seguiu como carro-chefe do crescimento, alcançando 662,2 mil toneladas, um avanço expressivo de 14,3% sobre o ano anterior. Em contrapartida, os peixes nativos enfrentaram um cenário desafiador, com leve retração de 1,8%, totalizando 258,7 mil toneladas, reflexo da menor produção na região amazônica. Já as outras espécies, como panga, carpas e trutas, registraram alta de 7,5%, atingindo 47,8 mil toneladas.
Em resumo, considerando a oscilação dos preços da tilápia e a redução da produção de nativos, 2024 fechou com saldo positivo. Diversos estados intensificaram o cultivo e/ou criaram condições para aumentar a oferta local e o avanço da piscicultura também reflete o fortalecimento do consumo interno.
“Definitivamente, o brasileiro aprendeu a apreciar nossos peixes. Assim como na parte norte do País os nativos já fazem parte da alimentação das pessoas, a tilápia assumiu relevância indiscutível no centro-sul, tornando-se presença semanal no prato. Essa consistência da demanda é um ingrediente essencial para o contínuo aumento da produção desta que é a proteína animal que mais cresceu na última década”, ressalta Medeiros.
O impacto positivo da tilapicultura também foi sentido no mercado externo. As exportações da espécie dobraram em volume, atingindo 12.463 toneladas, e cresceram 138% em receita, somando US$ 55,65 milhões. Os Estados Unidos foram o destino principal, absorvendo 94% das vendas. “Nos tornamos o segundo maior exportador de filé fresco de tilápia para os EUA, ultrapassando Honduras e Costa Rica. A expectativa é de que, com menos burocracia e maior investimento, alcancemos a liderança nos próximos anos”, projeta Medeiros.
O crescimento da produção de peixes de cultivo em 2024 foi o maior nos dez anos de levantamento, com salto de 51,8% desde 2015, quando a produção era de 638 mil toneladas. A entidade estruturou um banco de dados robusto, reunindo informações de governos estaduais, entidades setoriais, empresas e institutos de pesquisa, consolidando um panorama detalhado do setor para a tomada de decisões estratégicas.
O Paraná, maior produtor nacional graças às cooperativas e piscicultores independentes, aumentou sua participação, com um crescimento de 17,35% na produção em 2024, fechando o ano com 250.315 toneladas. Um em cada quatro peixes de cultivo são produzidos no Estado.
São Paulo, com 93.200 toneladas, aparece em segundo lugar, seguido por Minas Gerais (72.800 t), Santa Catarina (59.100) e Rondônia (56.900). Completam o top 10 da piscicultura Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Pernambuco.
Preços
Na questão dos preços, o ano passado não foi bom para os produtores de tilápia. Enquanto em janeiro de 2024 a cotação média do peixe era de R$ 9,68 por quilo, o valor caiu para R$ 7,77 por quilo em dezembro, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
Na avaliação da PeixeBR, a queda foi causada pelo aumento expressivo do alojamento de alevinos em 2023, que pressionou o mercado no ano seguinte. Com isso, a oferta superou a demanda.
Já os peixes nativos apresentaram movimento inverso, com baixa oferta e melhoria dos preços pagos ao produtor, principalmente no segundo semestre.
Para 2025, as perspectivas são otimistas. O consumo interno continua em ascensão, impulsionado pela percepção de que os peixes de cultivo são uma opção saudável e sustentável. Além disso, a expansão do mercado internacional abre novas oportunidades para os produtores brasileiros. “Precisamos fortalecer nossa base produtiva e explorar novos mercados. A piscicultura tem um futuro promissor, e só depende de nós aproveitarmos esse momento favorável”, diz Medeiros.
Fonte: seafoodbrasil.com.br/souagro.net/globorural.globo.com/ forbes.com.br
Postado em 28-02-2025 à55 12:11:55